Artesanato maranhense movimenta quase R$ 94 mil em feira do setor em São Paulo
Com mais de 1.400 peças vendidas no Salão do Artesanato Brasileiro, artesãos do Maranhão ampliam negócios, conquistam lojistas e levam a cultura maranhense para o cenário nacional.
O artesanato maranhense voltou a ganhar destaque nacional durante o Salão do Artesanato Brasileiro 2026, realizado entre os dias 13 e 17 de maio, em São Paulo, consolidando o setor como uma importante ferramenta de geração de renda, valorização cultural e fortalecimento do turismo no Maranhão.
Com peças carregadas de ancestralidade, identidade cultural e técnicas tradicionais, os artesãos maranhenses alcançaram números expressivos durante o evento. Ao todo, foram comercializadas 1.457 peças, movimentando R$ 87.949,00 em vendas diretas. O salão também resultou em 120 encomendas, somando mais R$ 6.050,00 em negociações futuras.
No total, a participação do Maranhão movimentou R$ 93.999,00 em vendas e encomendas durante o evento.
A ação beneficiou diretamente 35 artesãos maranhenses e impactou indiretamente 693 trabalhadores ligados à cadeia produtiva do artesanato, fortalecendo comunidades tradicionais, associações e pequenos produtores em diversas regiões do estado.
Entre os produtos levados pelos artesãos maranhenses para a feira estavam biojoias produzidas com sementes naturais, cestarias em palha de buriti, peças em cerâmica, azulejaria artesanal, rendas de bilro produzidas pelas rendeiras da Raposa, além de acessórios e artigos decorativos que traduzem a riqueza cultural e a diversidade do artesanato maranhense.
Mais do que vendas imediatas, o salão também se tornou uma importante vitrine de negócios. Durante a feira, lojistas e representantes de lojas especializadas procuraram os artesãos maranhenses para estabelecer contatos comerciais e futuras parcerias de fornecimento.
Um dos destaques foi o trabalho desenvolvido pelas artesãs da comunidade quilombola Viúva, em Itapecuru-Mirim, especialmente os cestos produzidos em palha de buriti com tingimento natural, que despertaram o interesse do público e de compradores.
A lojista paulista Carolina Monteiro destacou o potencial comercial e cultural das peças produzidas no Maranhão.
“Fui ao salão procurando produtos artesanais com identidade e me encantei pelos cestos produzidos no Quilombo Viúva. Pedi para separarem todos os cestos com tingimento natural porque vou levar todos. São peças diferenciadas, feitas com muito cuidado, cultura e autenticidade”, afirmou.
A artesã maranhense Kátia Lúcia Sousa, conhecida pelo trabalho com biojoias produzidas a partir de sementes naturais, comemorou os resultados alcançados durante a feira e destacou a importância dos editais e da participação em eventos nacionais.
“Foi uma experiência muito positiva. Tivemos boas vendas, muitos contatos com lojistas e oportunidades de mostrar nosso trabalho para pessoas de vários lugares do Brasil. Participar dessas feiras abre portas para os artesãos e nos incentiva a continuar produzindo e acreditando no nosso trabalho”, ressaltou.
A participação maranhense no Salão do Artesanato Brasileiro integra as ações de fortalecimento do setor promovidas pelo Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur-MA), em parceria com o Programa do Artesanato Brasileiro (PAB). A Setur-MA selecionou seis artesãos, que receberam apoio do Governo do Maranhão com passagens aéreas e transporte das mercadorias de São Luís até São Paulo, realizado por meio do caminhão do PAB.
A secretária de Estado do Turismo, Socorro Araújo, destacou os investimentos realizados pelo Governo do Estado para ampliar as oportunidades dos artesãos maranhenses.
“O Governo do Maranhão tem investido continuamente no fortalecimento do artesanato por entendermos que ele representa cultura, identidade e também geração de emprego e renda. Quando levamos nossos artesãos para eventos nacionais, estamos criando oportunidades reais de negócios, promovendo inclusão produtiva e valorizando a cultura maranhense em nível nacional”, destacou.
Atualmente, cerca de 4 mil artesãos maranhenses estão cadastrados no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (SICAB), plataforma nacional vinculada ao Programa do Artesanato Brasileiro.
O cadastro garante acesso à Carteira Nacional do Artesão e possibilita a participação em editais, feiras municipais, estaduais e nacionais, além de capacitações e políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor.
A coordenadora estadual do PAB no Maranhão, Liliane Castro, reforçou a importância da formalização dos artesãos por meio do SICAB.
“O cadastro no SICAB é fundamental porque garante reconhecimento profissional ao artesão e amplia o acesso às oportunidades oferecidas pelo Programa do Artesanato Brasileiro. A partir desse cadastro, os artesãos podem participar de editais, feiras e ações de capacitação que fortalecem a geração de renda e a valorização do trabalho artesanal”, explicou.
Liliane Castro também destacou que o processo de cadastro é gratuito e pode ser realizado com apoio da Secretaria de Estado do Turismo.
“O artesão precisa apresentar documentação básica, comprovante de residência e uma peça produzida por ele para avaliação técnica. Todo o processo é acompanhado pela coordenação estadual do PAB, garantindo orientação e suporte aos trabalhadores do artesanato”, acrescentou.
Próximo evento do calendário
Após o sucesso no Salão do Artesanato Brasileiro, os artesãos maranhenses já se preparam para mais um importante evento nacional: a Fenearte 2026, considerada a maior feira de artesanato da América Latina, que acontecerá no mês de julho, em Olinda, Pernambuco.
A Secretaria de Estado do Turismo (Setur-MA), por meio da Coordenação Estadual do PAB, já divulgou a lista provisória dos artesãos selecionados para representar o Maranhão no evento, e os participantes iniciaram os preparativos para levar ao público peças que valorizam a identidade cultural, a sustentabilidade e os saberes tradicionais do estado.
Com criatividade, tradição e identidade cultural, o Maranhão segue conquistando espaço no cenário nacional, mostrando que o artesanato vai muito além da arte: é uma ferramenta de transformação social, desenvolvimento econômico e preservação cultural.
Texto e fotos: Geíza Batistta - Assessora de Comunicação Ceprama/Setur-MA